• Marisa Nascimento

A difícil arte de se relacionar

É estranho que sendo o homem um animal social, seja tão difícil para ele o exercício de sua capacidade de relacionar-se. Uma das maiores fontes de infelicidade (e felicidade) da vida humana são os relacionamentos. Não apenas os relacionamentos amorosos, mas toda e qualquer relação com outra pessoa.


O estudo do genoma humano está comprovando, àqueles que ainda não acreditavam, que cada pessoa é única e que as diferenças individuais são aspectos relevantes que devem ser levadas à sério. Além da genética, existe um meio ambiente que é percebido de forma diferente pelas pessoas e estas são ainda diferentes em conhecimento, experiências, opiniões, atitudes, crenças, valores, interesses e outras coisas mais.


Diferentemente das formigas, das abelhas e outros seres que se organizam socialmente, as relações humanas não são puramente instintuais e requerem um esforço que as demais dispensam.

O que é tão diferente no homem? Sua riqueza de pensamentos, sentimentos, emoções e tudo isso que compõe a sua psique. Entre uma pessoa e outra há uma distinção maior que a dos corpos.


Tudo isso se traduz em estilos comportamentais únicos e, portanto, nada mais natural, que o processo de interação que acontece constantemente entre as pessoas, seja tão complexo e que a convivência ou relacionamento humano não seja nada fácil.


Ninguém é igual a ninguém. Cada um tem não apenas a sua própria carga genética, as suas determinações biológicas, fisiológicas etc., mas também a sua história, a sua forma muito particular de ver o mundo e estar no mundo. Entre nós e o mundo existe a interpretação, que passa pela percepção e pela consciência, que é interferida pela experiência.


Se relacionar é difícil, mas imprescindível, uma vez que não somos indiferentes às outras pessoas e delas dependemos para satisfazer nossas necessidades, devemos encarar isto como um desafio e, sem dúvida, torná-lo um desafio prazeroso.


Por causa dessa complexidade do contato humano, a comunicação é marcada pelo desafio de compreender o outro. O desafio de não julgar. O desafio de aceitar, mesmo que não seja possível concordar. Porque tudo o que compreendemos de alguém com quem contatamos está “contaminado” por nós mesmos, por nosso eu, por quem nós somos. É o que se chama projeção. Isso é um fenômeno do qual não se pode escapar, uma vez que não somos máquinas, não somos tão neutros como algumas vezes gostaríamos de ser. Não tem como eu sair de mim mesma para observar o outro.


O resultado disso é que temos que nos conhecer melhor para melhor nos relacionar com nossos parentes, amigos, colegas e até inimigos. Para identificar nossas projeções e nos empatizar com quem precisamos dividir o dia-a-dia. Autoconhecimento supõe que cada pessoa conheça suas características, suas forças e fraquezas, reconhecendo-as como parte de si mesma e que aprenda a aceitá-las e a lidar com elas.


Supõe ter consciência de suas emoções e sentimentos, sem negá-los, mas pelo contrário, utilizando-os de forma adequada e oportuna, ou seja, fazendo bom uso do quociente emocional, integrando-o com o intelectual. Supõe ter consciência que existe relatividade em tudo e que a sua percepção do mundo é apenas uma percepção, e não a verdade absoluta.

Supõe, finalmente, dar-se a conhecer ao outro para que possa ser aceito e compreendido em seu próprio estilo comportamental.


O outro aspecto é o heteroconhecimento. Interessar-se pelas outras pessoas, querer saber suas forças e fraquezas, suas percepções do mundo, seus sentimentos, seus estilos é a base do conhecimento dos outros.


E isto é feito através da comunicação. Comunicar ou tornar comum é o alicerce do relacionamento. No complexo processo da comunicação, dois pontos devem ser destacados: saber ouvir e empatia.


Saber ouvir requer humildade para despojar-se de certezas e acreditar que as outras pessoas têm algo a acrescentar e contribuir e que, portanto, devem ser ouvidas. Empatia não é sentir o que o outro sente, pois isso seria perder a própria individualidade, mas compreender a percepção da outra pessoa e entendê-la.


Para que a comunicação constitua realmente o alicerce da construção do relacionamento saudável, requer que seja autêntica.

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